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Moçambique: A Lotaria da Vida e da Saúde


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Opinião

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MOÇAMBIQUE: Os “doutores” das vilas rurais

Photo: L. Bonanno/PlusNews
O incansável Jone Luiz Jone
Morrumbala - Jone Luiz Jone, 30 anos, tem três filhos, é pastor da Igreja Novo Nascimento e cuidador domiciliário da organização britânica Save The Children-Reino Unido, no bairro Samora Machel, distrito de Morrumbala, na Zambézia.

Com todos esses deveres, Jone ganha reputação na comunidade, mas tem uma vida dura.

5:00 Horas: Com os primeiros raios do sol, Jone já está na machamba a plantar milho. Ao lançar as sementes sobre a terra, ele pede a Deus que mande chuva.

“Sem água há dias, vamos perder o plantio”, diz.

11:00 Horas: Depois de 20 minutos a pedalar, o activista já está em casa. Pega o seu kit de cuidador e está pronto para “um longo dia de trabalho,” segundo diz.

“Aiiiiii”, chora Adriana, dois anos, sua filha mais nova. Da mangueira, um grande fruto caiu sobre o rosto da menina.

O primeiro atendimento de Jone é em casa. Coloca a garota no colo e a acalma do susto. Da mochila, tira um par de luvas, algodão e adesivo. Lava o rosto dela e faz um curativo.

“Já está pronta para outra,” brinca.

13:00 Horas: Jone chega à palhota de Atumbere, 13 anos. Um fogão a lenha abafa o local. As cinzas dificultam a respiração a visão dentro da casa.

Sentada no chão, com a cabeça entre as pernas, a rapariga, que sofre de epilepsia, nota que alguém chegou, mas não esboça nenhuma reacção.

“Ela perdeu a consciência. Fica sempre assim,” diz Jone.

Atumbere vive com a avó desde os quatro anos. O seu pai morreu. A mãe foi morar com o novo marido noutro sitio. Durante um ataque, há seis meses, ela caiu na brasa em que sua avó cozinhava e queimou o braço.

Entretanto, os cuidados de Jone com violeta de genciana ajudaram a cicatrizar e evitar infecções.

A epilepsia não é entendida como doença física nas áreas rurais, explica Jone.

As pessoas crêem que é obra dos espíritos dos antepassados zangados. No caso de Atumbere, a comunidade acha que foi o seu avô, um caçador, que morreu antes dela nascer.

15:00 Horas: Otinio Mavilama, 63 anos, um ex-carpinteiro, descobriu ser seropositivo há quatro meses. Ele tinha dificuldade de respiração e fraqueza; não conseguia andar. As pernas estavam muito inchadas, problema agravado pela obesidade. Ele pesa mais de 130 quilos.

Com apoio de Jone, o ex-carpinteiro iniciou o tratamento antiretroviral e sente-se melhor.

“Tenho apenas dores nas pernas, mas já consigo me movimentar pela casa,” diz Mavilama.

Ele vive da ajuda do sobrinho que herdou os seus dotes de carpintaria e da mulher que trabalha na machamba.

16:00 Horas: Zita José, 39 anos, mãe de quatro e avó de dois é a próxima paciente.

Dona José vendia milho em Morrumbala, mas desde que foi afectada pela Sida, não tem forças para trabalhar.

Graças à cesta básica fornecida pelo SCF-UK, os cuidados de Jone e o tratamento antiretroviral, ela tenciona voltar ao negócio de milho.

“Estou muito agradecida pela sua ajuda, doutor,” diz dona José.

17-18:00 Horas: Os dois últimos pacientes do dia, Balaunde Saene, 34 anos, e Mouzinho Zeca, 31, estão em tratamento antiretroviral e “não precisam de muito cuidado,” diz Jone.

18:30 Horas: Jone volta para casa. De cada morador que encontra, recebe um agradecimento.

“Este é o meu pagamento,” comenta.

Tal como todos os 77 activistas que trabalham como cuidadores domiciliários pelo SCF-UK, em Morrumbala, Jone não tem vencimento.

Ele recebe um kit composto por uma bicicleta, mochila, bata, sapatilhas, pasta de arquivos, canetas, lápis, bloco de apontamentos e termômetro.

Ganha também a mesma cesta básica de alimentos que os 321 doentes de Morrumbala, único distrito em que o SCF-UK desenvolve cuidados domiciliários em Moçambique.

19:00 Horas: Depois de mais de 14 horas de trabalho, Jone chega à casa.

“Como amanhã não há missa, vou poder acordar cedo e trabalhar o dia inteiro na machamba,” afirma.

Certamente que esqueceu que o seu oficio é imprevisível.

23:00 Horas: Os filhos de Edaude Manuel, uma vizinha que não é atendida por ele, mas conhece o seu trabalho, acordam o activista para pedir socorro.

Era uma forte diarréia, que Jone amenizou com medicamento. No dia seguinte levar-lhe-á ao hospital.

Balde a balde

Uma pesquisa feita pela Campanha de Advocacia do Fundo das Nações Unidas para as Mulheres (Unifem) sobre trabalho domiciliário não remunerado diz que cuidar de alguém com Sida aumenta em um terço a carga de trabalho de uma família.

Só para lavar o doente, seus lençóis e a louça e preparar a comida, precisam-se de 24 baldes de água por dia, disse o estudo do Unifem. A mesma quantidade que num mês usa-se numa piscina residencial, com a diferença de que, nas aldeias, a água é carregada balde a balde.

“Antes da Sida, os moradores das comunidades pobres ajudavam-se uns aos outros para enfrentar as doenças menores, mas agora eles não têm mais condições. O HIV é terrível,” diz a gestora provincial da SCF-UK, Daphne de Souza Lima Sorensen.

lb/ms

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