ÁFRICA: Do tabu à primeira página
JOHANNESBURG, 24 Abril 2008 (PlusNews) - Para ver o Guia de Reportagens sobre HIV e SIDA, clique aqui.
Jornalistas em África lusófona interessados em cobrir a epidemia de HIV e SIDA têm agora mais uma ferramenta para ajudá-los nesta tarefa.
O PlusNews Português, o serviço de notícias das Nações Unidas especializado em HIV e SIDA na África de expressão portuguesa, acaba de lançar um guia de reportagens sobre o tema.
Publicado com o apoio da Agência Sueca de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional (SIDA), o Guia para reportagens sobre HIV e SIDA é uma resposta à necessidade dos jornalistas na África lusófona de mais contexto e orientação na cobertura da epidemia.
“A cobertura da SIDA em Angola é muito diminuta, geralmente vinculada a actividades, e nem sempre feita da melhor maneira, por isso um manual desse tipo é salutar”, explica Susana Mendes, editora do jornal Angolense, baseado em Luanda.
Segundo ela, uma das dificuldades é o facto de o HIV ainda ser um assunto tabu.
“O outro obstáculo é o próprio jornalista não entender a epidemia, não saber como lidar com o assunto, como fazer perguntas”, diz.
O Guia para reportagens sobre HIV e SIDA divide-se em duas vertentes: a primeira é um panorama geral da epidemia, com um dicionário sobre os termos, siglas e acrónimos mais usados; a segunda se refere à cobertura apropriada do tema segundo os parâmetros do serviço PlusNews – cuidados a ser tomados pelo jornalista, como abordar os entrevistados, como escrever de forma ética e sem julgamento.
Para Maurício Cysne, coordenador do Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/SIDA em Moçambique, “um guia dessa natureza facilita a abordagem de temas mais sensíveis, como a prática do sexo comercial, homens que fazem sexo com homens e usuários de drogas injectáveis.”
“O manual facilita ao profissional de jornalismo a abordar temas mais sensíveis, que estão no cerne da questão de se controlar, diminuir e atacar o estigma”, afirma.
O guia também aborda questões estilísticas e de linguagem, por exemplo, regionalismos na África lusófona, diferenças em relação ao português falado no Brasil, e dados sobre a unificação da língua portuguesa em curso.
Os últimos capítulos trazem contactos e websites úteis para os jornalistas, e dados de seroprevalência na África lusófona.
Se o jornalista entende o assunto, ele faz perguntas pertinentes e o entrevistado responde com informações mais profundas. Isso acaba por ajudar na educação dos leitores sobre HIV e SIDA. |
Moçambique (16,2 por cento) é um dos países mais afectados mundialmente. Países que emergem de conflitos como Guiné-Bissau (quatro por cento) e Angola (três por cento) não têm uma epidemia generalizada, mas precisam fortalecer esforços de prevenção e tratamento. Os arquipélagos de Cabo Verde e São Tomé e Príncipe têm baixa seroprevalência, menos de um por cento e 1,5 por cento respectivamente.
Discriminação e estigma ainda são a ordem do dia. Em São Tomé, nenhum seropositivo teve coragem de abrir sua condição em público. Guiné-Bissau e Cabo Verde só aprovaram leis anti-discriminação no ano passado.
Alzira do Rosário, coordenador do Programa Nacional de Luta contra a SIDA em Guiné-Bissau, afirma que o guia chegou em boa hora.
“Este guia será muito importante. Os jornalistas em São Tomé não têm este tipo de ferramenta para melhorar a qualidade da informação e fazer melhor o seu trabalho”, diz.
Mizé Badia, presidente da organização não-governamental Renascer, em Praia, Cabo Verde, acredita que quanto mais capacitados estiverem os jornalistas, melhor a cobertura da epidemia. O Guia para reportagens sobre HIV e SIDA, segundo ela, pode ajudar nesse processo.
“Se o jornalista entende o assunto, ele faz perguntas pertinentes e o entrevistado responde com informações detalhadas e mais profundas”, diz. “Isso acaba por ajudar na educação dos leitores sobre HIV e SIDA.”
Criado em Janeiro de 2006, o PlusNews Português (www.plusnews.org/pt) já se tornou referência na cobertura de HIV e SIDA em Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.
Baseado em Johannesburg, na África do Sul, o PlusNews Português conta com uma rede de correspondentes nas capitais e províncias dos cinco países lusófonos.
O grupo PlusNews, que conta com serviços em inglês e francês, é parte das Redes Regionais Integradas de Informação (IRIN) do Gabinete das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).
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