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Sexta-feira 1 Dezembro 2006
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BURUNDI: Igreja Católica exige testes de HIV aos noivos


[Este boletim não reflecte necessariamente as opiniões das Nações Unidas]



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Jeanne Gapiya-Niyonzima critica a decisão da Igreja Católica

BUJUMBURA, 20 Novembro (PLUSNEWS) - No Burundi, a Igreja Católica Romana só faz o casamento de pessoas que apresentarem um certificado de testagem do HIV, uma medida controversa que está a indignar os seropositivos.

“Forçar alguém a fazer um teste é uma violação dos direitos individuais; o teste deve ser sempre um acto voluntário?, declara Jeanne Gapiya-Niyonzima, activista contra o HIV/Sida e primeira pessoa do Burundi, que revelou publicamente a sua seropositividade.

Em Março deste ano, a Igreja Católica do Burundi publicou um documento que visava a tornar obrigatória a testagem do HIV dos noivos em todo o país.

“Nós não exigimos que os casais nos informem o resultado dos seus testes, mas exigimos simplesmente que eles façam o teste e saibam qual é o estado serológico um do outro?, afirma o padre Antoine Sabushatse, porta-voz da diocese de Bujumbura, a capital.

O padre Sabushatse explica que o certificado de testagem do HIV foi tornado obrigatório em 1989, na província sulista de Bururi, após a Igreja ter notado que um grande número de soldados seropositivos que tinham voltado ao país se casava com as moças sem lhes revelar o seu estado.

Sob ordem do bispo da diocese, a Igreja começou a exigir aos noivos um certificado de teste antes da celebração do casamento, medida que agora é aplicada em todas as províncias do país.

“Se não houver abertura entre o casal, se um dos noivos esconde a sua seropositividade à sua futura esposa ou ao seu futuro marido, o sacramento do casamento é então inválido?, insiste o padre Sabushatse.

Medida estigmatizante

Jeanne Gapiya-Niyonzima enfatiza que, apesar de bem intencionada, a Igreja não dá conselhos e serviços sobre o HIV/Sida à população.

Numa altura em que a maioria dos casais tem relações sexuais antes do casamento, obrigar os casais a fazer o teste do HIV antes do matrimónio não parece ser o meio de prevenção mais eficiente, acrescenta ela.

“Qualquer um pode pagar um médico corrupto para obter um falso certificado de seronegatividade?, lamenta Niyonzima.

“Hoje, as pessoas que decidem não se casar na Igreja são imediatamente alvos de suspeitas de serem portadoras do vírus. Esta medida é estigmatizante?, acrescenta.

O padre Sabushatse reconhece que houve incidentes em que certos casais apresentaram documentos falsos.

A Igreja recomenda aos noivos que procurem médicos dignos de confiança que serão encarregues de comunicar aos padres que o casal fez o teste e conhece os resultados.

Mesmo se o resultado de um dos noivos for positivo, a Igreja celebrará a união. Não é uma questão de julgamento, mas de informação e franqueza, prossegue ele.

Apesar dos protestos de activistas, o padre Sabushatse diz que a lei sobre o certificado de testagem do HIV tinha sido bem acolhida.

“Poucas pessoas se recusam a fazer o teste. Eles presenciaram a morte de um grande número de pessoas próximas e não querem arriscar?, conclui.

[Fim]




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LIGA??ES
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? Onusida
? Fundo Global das Nações Unidas contra HIV/SIDA, TB e Malária
? Programa Nacional DST/AIDS Brasil
? AIDSPortugal


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