QUÉNIA: Participação paterna reduz risco de HIV em bebés
MASENO, 1 Setembro 2009 (PlusNews) - Jennifer Omasa perdeu três filhos ao dar a luz com parteiras tradicionais. Quando engravidou pela quarta vez, ela optou por visitar a clínica pré-natal local, no oeste do Quénia. A filha de oito meses foi batizada de Zawadi: presente na língua suaíle.
A primeira visita à clínica revelou que ela é seropositiva. “Eu não sabia qual seria o meu destino... Considerei até mesmo abortar”, disse Omasa ao PlusNews.
“A enfermeira pediu que eu trouxesse o meu marido na visita seguinte, porque eu disse a ela que não poderia dar a notícia a ele. Eu menti para ele e disse que a enfermeira não poderia informar o sexo do bebé sem a presença de ambos os pais.”
Joab, o marido, acreditou e acompanhou a esposa à clínica, onde ele foi persuadido a fazer o teste de HIV. Ele também era seropositivo.
Ela recebeu o tratamento de prevenção de transmissão de mãe para filho e até agora os testes de Zawadi são negativos para o HIV.
“Eu assumi o compromisso de levar a minha mulher de bicicleta [à clínica] todos os dias de visita e até agora tenho feito isso”, disse Joab. “Mesmo que o meu resultado de HIV tenha sido chocante, eu não tenho nada a lamentar, porque a vida desta criança é uma prova de que vale o sacrifício”.
Homens são poucos
Poucos homens no Quénia acompanham as suas mulheres às clínicas pré-natais e Joab conta que foi ridicularizado pelos seus colegas por fazê-lo. Entretanto, de acordo com Elizabeth Achola, coordenadora do programa de prevenção de transmissão de mãe para filho no Hospital Missionário Maseno, as mulheres que recebem apoio dos maridos, apresentam maior probabilidade de fazerem visitas constantes a clínicas pré e pós-natais.
Quando a mãe decide não informar o seu status ao pai, a vida da criança fica em perigo |
“Se observarmos o que acontece aqui [em Maseno], percebemos que as mães que vêm acompanhadas dos seus parceiros, tanto antes da testagem inicial e mesmo após, são muito boas em manter a frequência de consultas”, disse ela.
"Quando o parceiro está engajado, os dois ficam a saber os seus status, e até mesmo práticas perigosas como amamentação forçada ou o desmame forçado são improváveis – a probabilidade de sobrevivência saudável do bebé é melhor do que quando a mulher faz tudo sozinha.”
Achola observou que quando grávidas seropositivas não revelam o seu status aos seus parceiros, fica difícil assegurar que elas dêem à luz a bebés saudáveis. “ ”, disse ela.
“A possibilidade de prevenir a transmissão de mãe para filho também é dificultada pelo facto de muitas mulheres decidirem dar à luz com a ajuda de parteiras tradicionais ou curandeiros”, acrescentou.
A experiência de Achola em Maseno confirma as descobertas de um estudo realizado na capital do Quénia, Nairóbi, que observou a redução do risco de HIV quando o parceiro de uma mulher grávida vai a visitas pré-natais e faz o teste de HIV.
Estudo
O estudo envolveu 532 grávidas seropositivas, das quais 140 foram acompanhadas pelos seus parceiros às consultas pré-natais; os resultados mostraram que, com um ano, os filhos de casais que frequentaram as clínicas tiveram um índice de sobrevivência 59 por cento mais alto do que os filhos das mães que fizeram o pré-natal sozinhas.
“Essas descobertas mostram que promover programas que visem aumentar a presença paterna no atendimento pré-natal pode ser um meio de reduzir a transmissão vertical e a mortalidade infantil”, afirmou o investigador Adam Aluisio, da Universidade de Nairóbi e principal autor do estudo.
Cerca de 80 por cento das clínicas pré-natais do Quénia oferecem serviços de prevenção de transmissão do HIV de mãe para filho, mas a adesão a aconselhamento e testagem é inferior a 50 por cento. O governo está a considerar várias formas de incentivo, inclusive um abono em dinheiro para os casais que frequentem juntos as clínicas pré-natais, para aumentar a participação masculina.
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