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GLOBAL: Homem não chora – ou será que chora?


Photo: Allan Gichigi/IRIN
Estereótipo do homem aumenta probabilidade para HIV
RIO DE JANEIRO, 2 Abril 2009 (PlusNews) - “Homens não choram. Homens são fortes. Homens não pedem ajuda. Homens têm muitos parceiros sexuais. Homens se arriscam. Homens podem usar a força para resolver conflitos.”

Estereótipos de masculinidade como esses listados ajudam na propagação da epidemia de HIV no mundo, disse Purnima Mane, directora executiva adjunta do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA).

“Os estereótipos afectam, entre outras coisas, o acesso a saúde, a expressão da sexualidade, o acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva e a vulnerabilidade ao HIV”, explicou ela no 1º Simpósio Global Engajando Homens e Meninos pela Igualdade de Géneros no Rio de Janeiro, Brasil.

Um dos modelos abordados foi a imagem de força do homem. Citando pesquisas, Mane destacou que comportamentos de risco são aceitáveis e até encorajados entre homens e que a maioria estava mais preocupada com a masculinidade do que com a própria saúde.

A noção de força e invencibilidade dos homens é, segundo Dumisani Rebombo, conselheiro técnico na área de lobby da organização internacional para saúde reprodutiva EngenderHealth, na África do Sul, um dos grandes factores de risco para infecção pelo HIV.

“Uma moça contou que, antes de ser estuprada, disse ao agressor que era seropositiva. O rapaz respondeu que não tinha medo do HIV, que não se importava com isso”, relatou.

Atraso para procurar ajuda

Estudos mostram que o conhecimento sobre a própria saúde é menor entre homens. Até mesmo nessa área existe diferença: enquanto saúde reprodutiva é geralmente considerada um assunto de mulheres, a saúde sexual é um tema para homens.

Assim, as mulheres falam de gravidez, planejamento familiar, câncer de mama e menopausa, mas nunca de prazer sexual, enquanto os homens falam de desempenho sexual, disfunções sexuais e contagem de esperma, mas nunca de métodos contraceptivos.

Some-se a esse desconhecimento outro estereótipo masculino – o de que procurar ajuda é sinal de fraqueza – e tem-se uma combinação perigosa, que coloca em risco a saúde dos homens.

No caso do HIV, sabe-se que homens procuram serviços de aconselhamento e testagem voluntária muito menos que as mulheres. Eles tendem a começar o tratamento antiretroviral mais tarde também.

“O diagnóstico e tratamento tardio significa que muitos continuam a praticar sexo desprotegido, correndo risco de reinfecçao e de infectar suas parceiras sem saber”, disse Mane.

Esses estereótipos trazem consequências para as próprias mulheres.

Rebombo, da EngenderHealth, lembra-se de um paciente que aconselhou depois do diagnóstico positivo.

''Precisamos redefinir o que significa ser homem. O HIV é uma oportunidade para se reavaliar a rigidez dessas normas.''
“Perguntei a ele quais seriam os próximos passos, para ele trazer sua mulher aos grupos de apoio. Ele disse que não abriria sua condição para sua mulher nem começaria a usar camisinha porque era homem e daria um jeito”, contou.

Percepção selectiva

Para Graça Sambo, directora executiva da ONG Fórum Mulher, a noção de que o homem deve ter muitas parceiras contribui para a seroprevalência nacional de 16 por cento em Moçambique, uma das mais altas do mundo.

Ela destaca que os relacionamentos múltiplos e concorrentes são grandes propagadores do HIV no país.

“Muitos homens têm muitas parceiras porque é isso que se espera deles”, explicou. “A masculinidade é muito pautada pela cultura e pela tradição, que dizem que eles têm que ser garanhões.”

Ela enfatizou que embora haja informação sobre a SIDA e os perigos desses tipos de relacionamentos, existe uma percepção selectiva da mesma: se envolve mudança de comportamento, os homens preferem não ouvir.

“Precisamos de homens que pensem diferente, que influenciem a mudança de comportamento”, explicou.

“Muitos já estão a mudar na esfera privada, agindo de maneira mais consciente, mas trazer essa mudança para a esfera pública ainda é difícil, porque ainda existe a pressão de grupo e eles temem ser ridicularizados.”

Segundo Michel Sidibé, director executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/SIDA (ONUSIDA), engajar homens para promover a ideia de uma nova masculinidade é central para o controlar a epidemia e se atingir o acesso universal a tratamento a prevenção, cuidados e tratamento do HIV/SIDA.

Mane, do UNFPA, faz coro.

"Precisamos redefinir o que significa ser homem", disse. “O HIV é uma oportunidade para se reavaliar a rigidez dessas normas.”

ll


Tema(s): (IRIN) Cuidados/Tratamento, (IRIN) Gênero, (IRIN) Prevenção

[FIM]

[Este boletim não reflecte necessariamente as opiniões das Nações Unidas]
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