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SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE: Camisinhas a qualquer hora, em qualquer lugar


Photo: Mercedes Sayagues/PlusNews
Agora ninguém tem desculpa para não usar
PRÍNCIPE, 28 Janeiro 2008 (PlusNews) - Bares, restaurantes, discotecas e lojas em São Tomé e Príncipe agora têm um novo elemento em sua decoração.

São pequenas caixas de madeira de cor castanha, que comportam 144 preservativos, colocadas em lugares de boa visibilidade.

Afinal, a intenção é que os dispositivos de camisinhas chamem a atenção da clientela.

Os preservativos tradicionalmente são distribuídos nos postos de saúde, mas ainda precisam ser ainda mais acessíveis, especialmente para os jovens.

“É uma forma que encontramos para que o preservativo esteja mais perto dos são-tomenses”, disse Alzira do Rosário, coordenadora do Programa Nacional de Luta Contra SIDA (PNLS). “Não é preciso pedir nada a ninguém. Quem precisar é só tirar.”

A novidade é uma iniciativa do PNLS, lançada em Dezembro de 2007 em Príncipe. Os dispositivos foram colocados em 34 postos considerados estratégicos nesta ilha.

Com cerca de 160 mil habitantes, o arquipélago de São Tomé e Príncipe, na costa do Gabão, regista uma seroprevalência de 1,5 por cento, considerada baixa no continente.

Mesmo assim, há quem expresse preocupação.

“A cada dia que passa a situação está a complicar-se. Sida já não é uma brincadeira”, disse Ângela Costa, coordenadora do Gabinete de Promoção da Mulher e Família no hospital Manuel Quaresma Dias da Graça Costa, numa campanha pelo uso de preservativo em Belo Monte, uma antiga empresa agrícola na região de Príncipe.

Surpresa

Eram quase 14 horas quando uma carrinha da organização não-governamental italiana Alisei entrou no bairro Benga, nos arredores da cidade de Neves, a 27 km da capital São Tomé, com os dispositivos de camisinhas. 

A missão da equipa da Alisei naquela tarde de Dezembro era distribuí-los nos locais pré-seleccionados.

Até o momento, a Alisei já espalhou cerca de 230 distribuidores nas duas ilhas. A meta é chegar a 400.

Em 2007, com verbas do Fundo Mundial de Luta contra SIDA, Malária e Tuberculose, Alisei efetuou a primeira pesquisa sobre a indústria do sexo em São Tomé, entrevistando 120 pessoas.

Um dos pontos levantados pela pesquisa foi a necessidade de mais lugares com preservativos disponíveis, especialmente aqueles abertos a noite. Foi assim que surgiu a idéia dos dispositivos de camisinhas.

Um dos lugares escolhidos em Neves foi o popular restaurante Complexo Escala. Em sua entrada foi colocado um painel publicitário: “Aqui tem preservativo gratuito”. 


Photo: Mercedes Sayagues/PlusNews
Sida já não é uma brincadeira
O anúncio surpreendeu um grupo de clientes que entrava para o almoço.

“Isto é muito bom. Agora se apanharmos uma fura [profissional de sexo], temos preservativo a um passo”, comentou Leovigildo Bragança, funcionário público, 54 anos.

Hélder Menezes, proprietário do restaurante, também comemorou sua participação na iniciativa.

"Aceitei que eles colocassem aqui porque assim estou a contribuir para combater a SIDA”, explicou.

Para Mariangela Reina, coordenadora da Alisei, esta é uma forma de incentivar que as mulheres se tornem adeptas das camisinhas.

“As jovens, especialmente, têm vergonha de ir à farmácia ou ao posto de saúde apanhar preservativos. Daí a idéia dos distribuidores”, disse.

Bom conhecimento, baixo uso

A iniciativa tem o apoio do Fundo das Nações Unidas para a População, do Fundo Global, da Federação das ONGs de São Tomé e Príncipe e do PNLS.

O novo serviço foi lançado em Príncipe depois de o presidente do país, Fradique de Menezes, ter recomendado aos jovens usar o preservativo, num evento no Dia Mundial da SIDA, em 1 de Dezembro.

"Vocês, os jovens e as jovens, [...] utilizem, por favor, o preservativo no momento do sexo. Não aceitem fazer com o vosso parceiro sem camisinha”, disse.

Dados do PNLS de 2005 indicam que 95 por cento da população têm conhecimento sobre o uso de preservativo, mas apenas 45 por cento o utilizam em suas relações.

“A utilização de preservativo é a prevenção mais eficaz contra o HIV. Pretendemos massificá-lo por todo o país”, concluiu Rosário.

rg/ll/ms

Dados sobre o uso de preservativo
em São Tomé e Príncipe

 95 por cento dos entrevistados tinham conhecimento do preservativo
Mais homens que mulheres conhecem o preservativo
Mais homens que mulheres usaram preservativo no último ano
O uso do preservativo é maior entre solteiros
iMulheres referiram o uso da camisinha para evitar a gravidez; homens, para evitar infecções sexualmente transmissíveis
Principais razões para o não uso do preservativo foram a falta de hábito e a diminuição do prazer
Fonte: Estudo CAP sobre o uso do preservativo em São Tomé e Príncipe 2006 


Tema(s): (IRIN) Prevenção

[FIM]

[Este boletim não reflecte necessariamente as opiniões das Nações Unidas]
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